2/22/2017

Análise do epísódio White Bear, de Black Mirror


O episódio se inicia dentro de um quarto com uma mulher acordando sentada em uma cadeira. Sua aparência é cansada, ela demonstra estar confusa, sem se lembrar da própria identidade. Na casa onde ela está há televisores com um símbolo estranho. Ao ir para fora, nossa personagem se depara com a rua vazia, porém nas janelas das casas vizinhas há pessoas com celulares nas mãos registrando cada passo que ela dava. A partir daí começa uma jornada para saber o que está acontecendo.

Durante todo esse tempo a mulher vai tendo flashes do seu passado e nele vemos a imagem de um homem e de uma criança que provavelmente é sua filha, pelo menos é o que nos dá a entender no começo. No meio do trajeto para descobrir o que está havendo, aparece um homem mascarado com uma touca que carrega o mesmo símbolo que aparecia nas TVs dentro da casa. Então, ele saca uma arma e começa a atirar em direção à mulher, ela corre pedindo ajuda, mas as pessoas só tiram fotos e filmam sempre distante dela. 

Na fuga, ela encontra dois jovens que a ajudam a despistar o mascarado, com eles ela fica sabendo que as pessoas da cidade sofreram um tipo de lavagem cerebral e por isso estão agindo daquela forma. Pra tentar mudar a situação eles precisam ir até o centro de transmissão chamado “White Bear” para destruir o local e libertar todos do controle mental.

O que não era esperado é que no final descobrimos que tudo não passa de um reality show e que o nome dessa mulher é Victoria Skillane, uma assassina perigosa que está condenada, juntamente com seu noivo, pelo assassinato de Jemima. Que por sinal são os personagens que aparecem em seus flashes. O noivo de Victoria, o Iain, se matou antes do julgamento e ela foi sentenciada a passar diariamente na busca pela sobrevivência dentro desse reality show. 

Estamos vivendo em tempo de voyeurismo e de grande sensacionalismo também. Na série, a condenação não foi o suficiente, foi preciso fazer um show expondo ainda mais o problema. Isso provoca emoções nas pessoas e influencia seu modo de pensar. Era o que estava acontecendo com o publico retratado ali, e é o que acontece na realidade. 

A sensação que tive no final foi de medo, de verdade. Medo porque a nossa realidade não é muito diferente, na verdade o que diferencia é a forma como o voyeurismo é realizado. As pessoas são diariamente assediadas pela mídia, pelas câmeras dos celulares e pelos olhares julgadores. A partir do momento em que colocam o celular na mão de uma pessoa, ela já se acha dona da verdade e influencia os mais fracos. E podemos interpretar dessa forma a mensagem passada nesse episódio.

Roteiro genial, escrito por Charlie Booker, Black Mirror nos chama para refletir sobre a sociedade. Cada detalhe é importante para o quebra-cabeça dessa história. Vale dizer também que ao assistir, me lembrei do filme O Show de Truman, estrelado por Jim Carrey, que por sinal gosto muito. A mensagem passada nos dois é parecida e nos remete a grandes reflexões.
Episódio 2
Temporada 2
Black Mirror

Bruna Domingos
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2 comentários:

  1. Olá Bruna,
    Eu só assisti há alguns episódios de Black Mirror.
    Gostei bastante do que vi, mas não assisti esse.
    Sempre fico impressionada com o que acontece, rs.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  2. Essa série abre os nossos olhos pra tantas coisas, eu assisti uns quatro episódios e dei um tempo, mexeu mto comigo. Mas é uma serie genial.

    https://deixacombinado.wordpress.com/

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